Contexto
Os jovens atualmente são a primeira geração a nascer e crescer num mundo significativamente online. As redes sociais são cada vez mais compreendidas pelos jovens utilizadores como extensões das suas identidades, moldando como eles se expressão, intergem com outros e compreendem realidades sociais (Flores & Antunes, 2023). Esta conecção constante cria uma realidade diferente das gerações anteriores (Kirschner, 2024).
Nas últimas décadas, variadas instituições locais e internacionais têm expressado preocupação crescente relativamente à ascensão dos discursos anti-feministas e anti-género online. Estes discursos são particularmente visíveis na manosfera, uma rede de comunidades online profundamente misóginas (Gerrand et al., 2025). De acordo com as Nações Unidas, dois terços dos homens jovens interagem regularmente com influencers online cujo conteúdo envolve linguagem extremista e ideologias sexistas (Carmo, 2025). As Nações Unidas alertam que as ideias tóxicas da manosfera se estão a espalhar de forma crescente para a cultura e para a política convencional, contribuindo para a normalização de violência de género e estreotipos prejudiciais (Lennon, 2025).
Simultaneamente, movimentos feministas online têm empoderado utilizadores jovens a desafiar normas de género e a apoiar representações de género mais inclusivas. Isto é maioritariamente visível na geração Z, que ativamente desafia papéis de género tradicionais, apoia identidades não binárias e rejeita ideias rígidas sobre género (Damayanti et al., 2025).
Estas tensões digitais globais também se refletem no contexto português, onde discursos feministas e anti-feministas em simultâneo, somam cada vez mais visibilidade online.

Sobre a investigação...
Propósito do estudo
O propósito deste estudo é compreender como a juventude portuguesa interpreta diferentes discursos sobre género online, e como essas interpretações informam os seus entedimentos de normas, papéis e identidades de género no dia-a-dia. Este estudo foca-se em duas dimensões interconectadas: como é que os jovens interpretam discursos e narrativas de género online, e como é que estas interpretações influencia as suas percepções de género no mundo offline.
Este tema é particularmente relevante dado que as plataformas digitais estão profundamente presentes na vida diária dos jovens e maldam os seus processos de auto-conhecimento.
Numa escala global, as nações unidas reportam que a oposição à igualdade de género está a crescer (Lennon, 2025). Em Portugal, onde a igualdade de género ainda constitui um desafio e a oposição ao feminismo está cada vez mais visível, examinar como a igualdade de género, o movimento anti-género e as narrativas misóginas são interpretadas pelos jovens é crucial.
Assim sendo, este estudo é relevante para os estudos de género e o desenvolvimento global. Este conhecimento pode, futuramente, ajudar a informar políticas que promovam a igualdade de género e a justiça social, alinhando-se com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5, particularmente o ponto 5.b, que promove o uso das tecnologias de comunicação para empoderar mulheres.
sub-objetivo 3
sub-objetivo 4
Como é que a juventude portuguesa interpreta identidades de género e sexualidades diversas dentro destes discursos online ?
De que forma é que estas intepretações se relacionam com as suas compreensões de normas, papéis e expectativas de género no mundo offline ?
Que significados é que a juventude portuguesa atribui a diferentes discursos sobre género presentes online ?
sub-objetivo 1
sub-objetivo 2
Como é que eles fazem sentido das tensões e contradições entre esses discursos ?
objetivo geral
Como é que a juventude portuguesa interpreta diferentes dicursos sobre género online, e de que forma essas interpretações informam as suas compreensões de género no mundo offline ?
Objetivos
metodologia

Estudo qualitativo
Este estudo adota uma metodologia qualitativa, uma vez que se foca nas interpretações dos jovens de conteúdos relacionados com género online. Ao invés de assumir que significados são universais, este estudo entende género como sendo construido através de interpretações e interações diárias, priorizando as perspectivas e experiências dos participantes.
Deste modo, uma abordagem qualitativa é apropriada, considerando que o objetivo não é medir padrões ou establecer correlações, mas explorar interpretações e significados. Uma abordagem quantitativa arriscaria simplificar estas dinâmicas e negligenciar a visão dos jovens.
Métodos de recolha de dados
Dois métodos de recolha de dados serão utilizados: entrevistas e grupos focais. Ambos serão conduzidos em português e terão duração de aproximadamente uma hora.
Área de estudo
Este estudo será conduzido em Lisboa, Portugal. Na eventualidade de um ou mais participantes não residerem em Lisboa, há possibilidade da recolha de dados ser feita online ou presencialmente noutra cidade do país.
Participantes
Os participantes deste estudo devem ter entre 16 e 22 anos e viverem atualmente em Portugal, preferencialmente em Lisboa. Esta faixa etária corresponde à adolescencia tardia e início da vida adulta. Os participantes devem ser utilizadores regulares de, pelo menos, uma plataforma de redes sociais, como Instagram, Tiktok, Youtube, entre outras. Disponibilidade para refletir sobre assuntos de género também é requerida. Indivíduos que não pertençam a esta faixa etária, que não residam em Portugal, ou que não sejam utilizadores frequentes de redes sociais não serão considerados.
Encorajar uma juventude mais democrática, socialmente envolvida e inclusiva começa por ouvir as suas perspetivas e experiências !
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Quer sejas um potencial participante ou tenhas interesse em colaborar no âmbito académico, teremos todo o gosto em responder às tuas questões.
Daniela Ribeiro
danielapribeiro2003@gmail.com
Universidade de Bergen
Referências
Carmo, A. (2025). Why is the manosphere on the rise? UN Women sounds the alarm over online misogyny. UN News. https://news.un.org/en/story/2025/06/1164531
Damayanti, Y. D., Ananda, A. S., & Rosalinah, Y. (2025). Exploring Social Media on Gender Identity Development Among Generation Z: A Discourse Analysis on Opportunities, Challenges, and Societal Tensions. Journal of Language and Literature Studies, 5(4), 1160-1170. https://doi.org/10.36312/f9ay1h21
Flores, A. M. M., & Antunes, E. (2023). Uses, Perspectives and Affordances: An exploratory study on gender identity for young adults in social media platforms in Portugal. About Gender International Journal of Gender Studies. https://doi.org/10.15167/2279 5057/AG2023.12.23.2116
Gerrand, V., Ging, D., Roose, J. M., & Flood, M. (2025). Mapping the Neo-Manosphere(s): New Directions for Research. Men and Masculinities, 28(5), 443–464. DOI:10.1177/1097184X251350277
Kirschner, J. (2024). The Newest Generational Divide: Social Media Influence on Digital Natives. Visual Communication Quarterly, 31(3), 199-205. 10.1080/15551393.2024.2396791
Lennon, C. (2025) Online ‘manosphere’ is moving misogyny to the mainstream. UN News. https://news.un.org/en/story/2025/03/1160876
